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O papel dos consumidores

Segunda-feira, 30.11.15

Qual é o nosso papel neste filme? Vale a pena pensar nisso.

Os cidadãos têm um poder enorme enquanto consumidores. Aquilo que os ambientalistas não conseguem em divulgação de informação científica ou em manifestações, podem os consumidores conseguir. Como? Pura e simplesmente não adquirindo produtos a empresas e a multinacionais poluidoras e/ou envolvidas em crimes ambientais. E também influenciando o mercado, procurando soluções alternativas às convencionais, alterando comportamentos, trocando informação, etc. Ex.: escolher produtos e equipamentos pela sua eficiência energética, exigir transportes públicos de qualidade, comportamentos amigos do ambiente.

 

E não é apenas no ambiente que os consumidores têm poder, também a nível económico e financeiro: vejamos, aqui mais perto, o caso da Triumph

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:30

As vozes das mulheres na política activa

Quinta-feira, 25.04.13

 

Ora finalmente vozes de mulheres numa comemoração da revolução dos cravos. Uma lufada de ar fresco dos egos masculinos que tudo ocupam com a sua verbosidade sem alma. Precisamos de mais vozes de mulheres na política activa.

 

 

Mulheres que, relativamente aos valores humanos fundamentais, se posicionam, a meu ver, em 2 grandes grupos:

 

- umas já se libertaram da linguagem do poder masculina e da necessidade de aprovação social (conformismo): mulheres feitas, autónomas, corajosas, que pensam pela sua própria cabeça, que defendem os valores humanos essenciais e que coincidem necessariamente com os valores de uma democracia de qualidade, e propondo, com entusiasmo e convicção, diversos caminhos que correspondem às suas afinidades filosóficas, sociológicas e políticas. Neste primeiro grupo encontram-se, a meu ver: Heloísa Apolónia (Verdes), Catarina Martins (BE) e Paula Santos (PCP);

 

 - outras ainda se mantêm na linguagem do poder masculina e na necessidade de aprovação social (conformismo), algumas não se apercebendo desse facto: mulheres à procura do seu papel no teatro político, com ambições pessoais a sobrepor-se aos valores humanos essenciais próprios de uma democracia de qualidade. Embora o seu discurso refira esses valores, revelam falta de entusiasmo e convicção além de equívocos culturais: assistencialismo não é equidade nem dignidade, é paternalismo. Neste segundo grupo encontram-se, a meu ver: Cecília Meireles (CDS) e Assunção Esteves (Presidente da AR).

 

Coloquei Paula Santos (PCP) no primeiro grupo apesar da sua formatação cultural a um enquadramento sociológico obsoleto da família política a que pertence, porque revela um contacto com o concreto e a vida das pessoas.

Quanto a Cecília Meireles e Assunção Esteves, espero não estar a ser injusta com estas mulheres: Cecília Meireles não sei se alguma vez conseguirá fazer esse exercício de transição para a verdadeira autonomia, julgo que permanecerá na segurança do conformismo, da aprovação social e do politicamente correcto. Assunção Esteves pode estar intelectualmente próxima dos valores essenciais de uma democracia de qualidade, mas precisa ainda de sair do formal para o concreto, dos livros para a vida.

 

 

Vamos agora analisar muito rapidamente as 3 vozes masculinas do dia e ver se ainda há reabilitação possível:

 

- Alberto Costa foi, das 3 vozes masculinas, a que mais se aproxima dos valores essenciais. O PS escolheu alguém respeitado e actualizado em relação à Europa. Foi, aliás, o unico que conseguiu aplausos de todas as bancadas ao lembrar um dos capitães de Abril, Marques Júnior;

 

- Carlos Abreu Amorim foi a escolha do PSD. O consenso foi o mote do discurso. Como se poderá facilmente desmontar, consenso é a proposta do conformismo e da aceitação acrítica, e aqui estamos em plena linguagem do poder. Todo o discurso está elaborado numa perspectiva histórica pretensamente patriótica, mas são apenas palavras, verbosidade sem alma;

 

- o Presidente da República utilizou um discurso contraditório e muito mal organizado: deveria ter começado pelo fim, essa era a parte que deveria ter lido logo no início, porque era a parte que dizia respeito ao país e aos seus conterrâneos. Depois, limar as arestas de um discurso enfandonho que foi construído cuidadosamente para não escandalizar por esta ordem: troika, BCE, CE, FMI, Alemanha, banca, mercados, governo. Ora, essa tarefa é impossível: defender o país e os seus concidadãos vai implicar necessariamente desagradar a todas essas entidades, governo incluído.

Ao ser percebido como estando do lado de lá, tal como o governo é percebido hoje, está do lado errado, e comprometeu talvez irremediavelmente a possibilidade de exercer uma influência activa no caminho do país para a sua recuperação. Limitou assim a sua influência para o lugar escondido onde tem permanecido: os bastidores, por detrás das cortinas.

De resto, nada a dizer, a não ser que é, actualmente, um pré-reformado presidencial. Isso percebe-se quando escolhe a palavra fadiga para adjectivar a austeridade que os cidadãos sentem na pele. A fadiga é a dele. A fadiga é um privilégio dos ociosos. O que os cidadãos sentem não tem nada a ver com fadiga. O que os cidadãos sentem é insegurança, incerteza, angústia, receio, desespero, aflição.

 

 

Nota: Metade dos oradores do dia nasceu depois do 25 de Abril de 74 ou eram ainda crianças. Achei esse ponto interessante. Seria uma variável a  considerar relativamente à frescura do seu discurso, mas à partida parece não os distinguir (ex.: Heloísa Apolónia, Cristina Martins, Paula Santos, Alberto Costa, do lado de um discurso que se refere à realidade concreta, à vida dos cidadãos; Cecília Meireles, Assunção Esteves, Carlos Abreu Amorim, Presidente da República, do lado do discurso abstracto e obsoleto).

 

 

 

E o dia não iria terminar por aqui:  Depois da festa dos diversos rostos do poder na Assembleia da República, veio a festa dos cidadãos na rua, de Pombal ao Rossio, discursos no Rossio, e o desaguar finalmente e simbolicamente no largo do Carmo.

 

 

Reacções ao discurso do PR:

 

Dos cidadãos: parece que a generalidade dos cidadãos que ligaram para a Antena Aberta da Sic Notícias e os entrevistados nas celebrações na rua não gostaram do discurso do PR. Digamos que não só não gostaram como estavam decepcionados uns, indignados outros. Que o PR não estava à altura das suas funções. Que o PR estava a defender o governo. Que o PR mais parecia um Chefe do governo do que um Presidente.

 

Do PS: acusaram o toque ainda no corredor da AR e de forma muito contida na recepção dos colegas estrangeiros da família socialista que organizou o congresso em Lisboa. Prometeram falar disso durante o congresso. 

 

Dos comentadores políticos: parece que só Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel entenderam de forma diferente o discurso do PR.

 

No Política Mesmo da tvi 24 (aos 22:30), Manuela Ferreira Leite tenta controlar os danos causados pelo discurso do PR, mais uma vez se aproximando do estilo usual do Prof. Marcelo: que não tinha visto no discurso uma provocação ao PS, que não entendia a reacção do PS, que o consenso era dirigido aos dois PSD e PS, que o PS estava amuado. 

Já identificámos aqui mais uma estratégia da linguagem do poder: tentar desvalorizar o direito à discordância do outro infantilizando-o. Aliás, o Prof. Marcelo recorre a esta estratégia frequentemente.

No entanto, Manuela Ferreira Leite esteve bem quanto à possibilidade do governo apresentar mais cortes no dia seguinte. Aqui foi peremptória: Há dois dias foi apresentado um pacote ou um projecto ou enfim, um conjunto de propostas no mínimo, para fomentar o crescimento. Agora amanhã temos outro conselho de ministros para fomentar o contrário do crescimento? Quer dizer, às 2ªs, 4ªs e 6ªs crescemos e às 3ªs, 5ªs e sábados entramos em recessão? Temos de nos entender mais ou menos. Não estamos à altura de mais medidas recessivas porque já toda a gente se apercebeu que essas medidas recessivas não resultam em efeitos sobre a consolidação das contas públicas, portanto direi que são gratuitas do ponto de vista da consolidação orçamental, e são altamente penalizantes do ponto de vista da recessão. Se amanhã tomamos medidas recessivas então anulamos quaisquer medidas que tenham algum interesse do ponto de vista do crescimento económico. Pior um pouco, é que as medidas recessivas terão efeitos imediatos e as medidas de projecto de crescimento não têm efeitos imediatos. Entramos ainda mais em recessão? Há medidas ainda sobre aquelas que já existem? ... Vamos então ver que medidas vão ser tomadas. Se me disser que as medidas tornam a ser cortes nos vencimentos da função pública e pensões, ... então seria algo para não valer a pena estarmos aqui a discutir porque parece que estamos todos a trabalhar para um objectivo directo e efectivo de aumentarmos a recessão. ... Existem muitos pontos na função pública que nada têm a ver com os salários nem com as pensões e que poderão bem ser consideradas... Nunca o desvio das contas públicas foi atribuído oas salários da função pública ou às pensões, nunca. Isso é um ponto que merece uma discussão mais alargada, ... e esse buraco que aparece agora nas contas públicas (os 3 mil M€ das especulações financeiras com dinheiros públicos, em empresas públicas) é um bom exemplo de coisas efectivamente sérias do ponto de vista da dimensão do défice que provocam, que acontece no sector público, nas empresas públicas, nas autarquias, nas regiões autónomas, ... muitas coisas que nada têm a ver com os sectores que têm estado a pagar tudo isto. E ainda vai haver mais, é? Eu não acredito. ... parece-me absolutamente bizarro. Não sou capaz mesmo de imaginar que se torne a reincidir num sector que já levou não sei quantos cortes, é que já não é cortar pela primeira vez, é cortar pela terceira ou pela quarta. ... A fase da emergência há muito que passou.

 

Logo a seguir e igualmente na tvi 24, no programa Prova dos 9, Paulo Rangel, o outro comentador que, tal como Manuela Ferreira Leite, tentou desvalorizar o impacto negativo do discurso presidencial, alega a má elaboração do texto, que o texto estava confuso e que por isso terá sido mal interpretado, pois não via ali nenhum apoio à política seguida pelo governo nem nenhuma crítica dirigida à oposição. Que, aliás, o PR até tinha sido duro com as políticas da Europa. Estes argumentos não convenceram. Um texto mal elaborado não retira algumas das suas partes. E estavam lá implícitos recados à oposição: nem pensem em eleições, isso é colocar os interesses partidários à frente dos nacionais... e não explorem a angústia do povo.

Interessante como este paternalismo, aliás a cultura de base do cavaquismo se bem se lembram, está aqui presente e é uma das heranças culturais do salazarismo. O actual PSD revela ser um depositário de muitos tiques culturais desse tempo.

Vemos, também aqui, mais estragos provocados pelo regresso do anterior PM como comentador político da televisão pública. Porque o PR, sobrepondo ele mesmo as contas a ajustar com o PS desse governo, não resistiu a revelar isso num discurso que deveria ter sido pedagógico e ionspirador em dia de celebração da liberdade, fraternidade e esperança.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:11

A linguagem do poder da troika e do governo: consenso alargado = suicídio colectivo

Sexta-feira, 19.04.13

 

A linguagem do poder tem várias estratégias para conseguir impor a vontade de muito poucos sobre muitos outros. Vem nos livros. Uma delas é manifestar publicamente por palavras a vontade de ouvir o adversário ou alguém que é percebido pela opinião pública como adversário (pois, como sabemos, todos os partidos fazem parte do mesmo sistema).

Outra estratégia que o governo utiliza é a chantagem da troika, não há medidas (cortes nos mesmos) não há dinheiro, para justificar a necessidade de um consenso alargado. Consenso para eles é consentimento, claro. Para os cidadãos é o suicídio colectivo.

Outra ainda, o marketing político e a propaganda a substitur a verdade, nas televisões sobretudo, mas também noutros meios de comunicação.

 

 

Já identificámos aqui 3 estratégias da linguagem do poder:

 

- utilizar termos que parecem significar abertura, flexibilidade, cultura democrática, mas que pretendem exactamente envolver o outro, implicá-lo nas suas decisões, comprometê-lo em termos de responsabilidade assumida. Aqui surge o termo consenso alargado. Consenso no dicionário dos sinónimos = acordo; anuência; aprovação; assentimento; beneplácito; consentimento; parecer; praz-me; unanimidade. Está tudo dito. Se o objectivo fosse a tal abertura e flexibilidade relativamente à escolha das medidas a aplicar, revelando uma cultura democrática, o termo adequado seria negociação, por exemplo; 

 

- colocar as suas decisões numa posição de força e de chantagem: não há medidas (cortes nos mesmos) não há dinheiro, tentando manter os cidadãos apreensivos, com receio do futuro, instilando o medo para conseguir aceitação e obediência acrítica; 

 

o marketing político e a propaganda martelada nas televisões, com a aparência de debates entre posições ligeiramente diversas para confundir os espectadores e levá-los a aceitar as suas opiniões e decisões como as correctas e as inevitáveis. Em vez de uma informação fiável, temos a propaganda a substituir a verdade. Embora não seja apenas a televisão o meio de comunicação utilizado (a internet já está atafulhada de propaganda governamental), a televisão ainda é o meio privilegiado da propaganda, pois os cidadãos do país ainda a utilizam como a principal forma de se manter informados (basta ver uma das antenas abertas).

 

Exemplo: analisem a diferença de discurso de Manuela Ferreira Leite, num espaço muito curto de tempo, isto é, de dia 11 para dia 18, nestes 2 vídeos do programa Política Mesmo da tvi24:

- no primeiro, a entrevista de dia 11, Manuela Ferreira Leite faz uma radiografia bastante fiel da nossa situação actual, refere-se a um harakiri colectivo (o tal suicídio colectivo), e procura informar sobre a nossa situação concreta, mostrando os malefícios da política de austeridade como nos foi imposta pela troika e pelo governo nestes dois anos, na economia e nas vidas dos cidadãos, mas também porque, apesar dos sacrifícios dos cidadãos, não se está a reduzir nem a dívida nem o défice;

- no segundo, o primeiro programa já como comentadora-política-económica, muda de registo para um discurso em termos completamente diversos, quase nos apresenta de um futuro risonho com a simples entrada destes 2 ministros que vieram substituir o ministro-bode expiatório. Dá para acreditar? Manuela Ferreira Leite, a referência da política de verdade, subitamente convertida à fé governamental, embora nos diga que a sua opinião é subjectiva pois é amiga de Marques Guedes e sabe que é dialogante (?), e ouviu dizer que o ministro Maduro é um académico brilhante  muito considerado internacionalmente e que vai sensibilizar os tecnocratas europeus (!?) Reparem também no jornalista Paulo Magalhães, primeiro perplexo, depois inquieto, finalmente aflito. Será que Manuela Ferreira Leite se irá converter num segundo Prof. Marcelo? Espero que não, pois uma política de verdade é raríssima no país.

 

 

 

Para começarmos a duvidar se não terá ficado tudo ao contrário, aparece um Francisco Louçã subitamente calmo e sensato, embora muito entusiasmado, a falar do livro de bd, Isto é um assalto (Saída de Emergência). Verificamos que é muito melhor como autor-professor do que como dirigente político. Muito interessante e esclarecedora a descrição da nossa história financeira. Ficámos a perceber as relações do poder político-poder financeiro, quem ganha com a nossa desgraça (com os juros da nossa dívida). Vale a pena ver o vídeo relativo a ontem, dia 18, mas ainda não o encontrei.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05








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